Ela está bem

19 de setembro de 2016


Estava suando de modo excessivo, as suas mãos tremiam, o seu corpo entrou em uma inércia profunda e sem perceber os seus pés tocaram o chão frio fazendo com que ela se despertasse um pouco. Ligou o chuveiro e enquanto a água descia pelo seu corpo ela sentia um imenso sentimento de aflição, sentia os seus olhos ficarem quentes, talvez ela estivesse chorando, mas como isso seria possível com tamanha tristeza? Ela mal tinha forças para se locomover. Saiu do banheiro, apesar de não sentir o seu corpo, parece que ela tinha tomado uma surra daqueles caras de filmes americanos que têm uma moto maneira e um casaco de couro. Se deitou na cama e agarrou com seu travesseiro, e naquele momento, ela estava chorando. Chorando de modo irreconhecível e qualquer pessoa que passasse por ali se assustaria e veria sua dor com tamanha transparência.

Ouviu o som da chuva batendo e descendo pelo teto. Ficou imaginando se sua dor poderia ser como a chuva, bater com tamanha força e logo depois se for por si só, sem que ela fizesse muitos esforços, como ter que chorar, se espernear ou se tocar da pior maneira que entrar em desespero não a levará à lugar algum. E sabe o problema disso tudo? É que ela quer se desesperar, ela precisa. Pra ver se essa dor some de uma só vez  e não volta mais nunca. Só precisa de um pouco de paz, de carinho e afeto, e ultimamente a vida tem a banido disso.

Quando percebeu que não iria a lugar nenhum, que sua vida só foi até aquele ponto e que a partir dali ela não suportaria mais, se levantou e foi ao banheiro. Foram precisos apenas alguns comprimidos e uma dose de vodka para que ela pudesse se teletransportar para a outra dimensão. A dimensão que é temida pela maioria, mas a solução para quem cansa de ter a sua mente funcionando como um inferno particular.

Acredito que alguém, ao entrar no seu quarto e ao ver que ela não estava ali, começou a chamar pelo meu nome, saiu procurando por todos os lados e cômodos, até que finalmente decidiu checar o banheiro. Até imagino a expressão que essa pessoa fez ao vê-la deitada no chão, escorada na parede e já pálida, com os potinhos laranjas dos comprimidos ao seu lado, talvez essa pessoa tenha se ajoelhado ao seu lado, encostado sua cabeça no seu ombro e começado a chorar. Mas não precisa, não precisa mesmo. Porque ela estava bem, isso é óbvio.

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